quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Liberal, Aqui e Lá!

Nos Estados Unidos, ser liberal equivale a ser de esquerda. A direita seria conservadora. O Partido Democrata é liberal. O Republicano, conservador, apesar da ala libertária. É diferente do Brasil, onde liberal é associado à direta e tem uma conotação distinta, similar à europeia, de Estado Mínimo.

Os valores liberais aceitam uma maior intervenção do Estado na economia. Não que queiram um socialismo ou mesmo uma social-democracia nos moldes da Escandinávia ou da França. Mas algumas políticas keynesiana em determinados momentos de crise e regulamentação de determinados setores. Alguns presidentes democratas, como Bill Clinton, porém, desregulamentaram a economia, não sendo intervencionistas.

Na política externa, em teoria, os liberais seriam a favor da defesa dos direitos humanos internacionais, intervenções em defesa da paz e contrários a ataques preventivos. Portanto seriam a favor de ações como a da Bósnia, mas não como a do Iraque. Na prática, porém, os democratas tendem a ser realistas, como Obama. Não intervêm na Síria por saberem que esta alternativa não funcionaria. E realizam ataques preventivos com Drones.

Nas áreas sociais, os liberais são, atualmente, a favor do direito ao aborto, do casamento entre pessoas do mesmo sexo, da legalização da maconha, de maior acesso à saúde, da restrição ao porte de arma e da preocupação com as mudanças climáticas. Os democratas, em sua maioria, são a favor de todas estas políticas.

Os valores conservadores, por outro lado, são contrários a um envolvimento do Estado na economia. O livre mercado seria a melhor solução. Este seria, inclusive, o segredo de a economia americana ser a mais inovadora do mundo. Normalmente, os republicanos praticam estas políticas. Mas George W. Bush foi um dos presidentes que mais intervieram na economia, especialmente depois do colapso de 2008, quando praticamente estatizou da General Motors, além de adotar políticas keynesianas para tentar evitar uma nova depressão. Já a ala libertária defende até mesmo o fim do FED (Federal Reserve, Banco Central dos EUA).

Na política externa, os republicanos eram tradicionalmente realistas. Mas, com Bush, passaram a ser intervencionistas, com ataques preventivos, como no Iraque. Atualmente, uma ala isolacionistas, que também foi forte no passado, ganha cada vez mais espaço, sendo contra o envolvimento dos EUA em outros conflitos. Estes isolacionistas são capitaneados pelos libertários, que são contra políticas como a dos Drones (levadas adiante pelo suposto liberal Obama) e a espionagem da NSA (Snowden é republicano e libertário).

Na área social, os conservadores são contra o direito ao aborto, ao casamento de pessoas do mesmo sexo, à legalização da maconha, a saúde socializada, a restrições ao porte de armas e não acham que as mudanças climáticas sejam causadas pelos homens. Mas há muitos republicanos, como o novo prefeito de San Diego e jovens libertários, que defendem o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o direito ao aborto e a legalização da maconha. Outros grupos nas grandes cidades também são a favor de restrições ao porte de arma.

Os independentes, como ex-prefeito de NY Michael Bloomberg, são favor dos democratas na área social e dos republicanos na econômica. Outros são a favor dos democratas na economia, mas dos republicanos na social.

Noto, porém, que no Brasil alguns liberais, no sentido britânico, em economia, são conservadores em questões sociais, sendo, portanto, próximos da ala mais conservadora do Partido Republicano.

Guga Chacra - Estadão

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Dois Lados da Mesma Moeda

Não há MELHOR avaliação do que aquela que VOCÊ MESMO pode fazer de um fato:
Vídeo 1: Apoio de Lula à Nicolas Maduro nas eleições da Venezuela:

Video 2: Repressão do Governo Nicolas Maduro contra protesto estudantil, agora em Fevereiro/2014:

Sim... quando você AMA seu povo, você manda um TANQUE para esmaga-lo... Não?

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Além dos Limites

O que se pode esperar de um partido político cujas principais lideranças e, em consequência, sua militância são incapazes de distinguir o público do privado? Os petistas têm extrapolado todos os limites do comportamento democrático e republicano nas manifestações de repúdio à condenação dos mensaleiros pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O desacato ostensivamente praticado pelo petista André Vargas, vice-presidente da Câmara dos Deputados, ao presidente da Suprema Corte, Joaquim Barbosa, sentado a seu lado durante a solenidade de abertura do ano legislativo, mostra mais uma vez que o lulopetismo se considera acima das instituições da República: Joaquim Barbosa representava naquele ato o Poder Judiciário. Não podia ser tratado como um "inimigo" do PT e provocado pelo parlamentar paranaense com a reiterada exibição de um gesto, o punho cerrado, que se tornou o debochado símbolo de protesto dos mensaleiros encarcerados. Não bastasse isso, Vargas, em mensagens pelo celular, escreveu que gostaria de dar "uma cutovelada" em Barbosa. Ontem, desdisse o que havia escrito.
N.B. - Aliás, o termo 'cotovelada' foi assassinado pelo deputado, que também demonstra não saber escrever sua língua pátria. Talvez se de melhor escrevendo na língua falada em Cuba, país que o deputado rende homenagens costumeiramente.
A companheirada se considera detentora do monopólio da virtude e, nessa condição, autorizada a lançar mão de qualquer meio para cumprir sua missão redentora. Mas, no mundo real, os militantes partidários, mesmo quando investidos de mandato popular ou de autoridade delegada, estão, como toda a cidadania, obrigados a respeitar a lei, as instituições, os procedimentos da convivência democrática. E certamente a desrespeitosa atitude de André Vargas no plenário do Congresso Nacional não foi um bom exemplo, exceto para os correligionários habituados a se comportarem como torcedores de futebol organizados em gangues.
O episódio do mensalão tem oferecido ao lulopetismo todas as oportunidades de demonstrar que o partido, que há quase 35 anos se colocou na cena política com o propósito radical de lutar contra "tudo isso que está aí", acabou se transformando, depois de chegar ao poder, numa legenda igual ou pior do que todas aquelas que sempre combateu com violência e rancor.
De início, quando denunciado pelo cúmplice deputado Roberto Jefferson, o PT negou a existência de um esquema de compra de apoio parlamentar mediante o pagamento mensal de propina. No auge da repercussão negativa do episódio, Lula declarou que o PT deveria pedir desculpas à Nação. Já no exercício do segundo mandato, passou a se referir ao episódio como uma "farsa" que se dedicaria a desmontar tão logo deixasse o governo. Quando percebeu que o julgamento pelo STF era inevitável tentou, nem sempre com a conveniente discrição, influenciar os ministros. Anunciada a condenação dos criminosos, fingiu-se de morto. Mas desde então trabalha intensamente nos bastidores para criar junto à militância petista uma reação emocional ao julgamento "autoritário e injusto", para minimizar os efeitos politicamente negativos da prisão da elite petista. E esse trabalho inclui a tentativa de manter mobilizada uma militância frequentemente mal informada e ingênua, fazendo-a crer que é possível a anulação do julgamento.
A estratégia traçada pelo lulopetismo prioriza a "fulanização" da decisão do STF. Não é o colégio de 11 ministros, 8 deles nomeados pelos governos petistas, o responsável pela condenação dos heroicos ex-dirigentes do partido. O culpado é Joaquim Barbosa, o implacável ministro-relator da Ação Penal 470. E para regozijo dos petistas o próprio Barbosa facilita as coisas com reiteradas atitudes impulsivas e inexplicáveis, como a de ter entrado em férias sem assinar a ordem de prisão de João Paulo Cunha.
Foi a deixa para que o deputado dirigisse uma carta aberta ao presidente do STF vazada no caradurismo com que os petistas costumam subverter as evidências em benefício próprio. Cunha refere-se o tempo todo a Joaquim Barbosa como se ele fosse o único responsável por sua condenação. E insiste na falácia de que foi condenado "sem provas", aleivosia que respinga na ampla maioria de ministros que o penalizou pelos crimes de corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. Tudo era o que se podia esperar de pessoas que não têm noção de limites.
Editorial do Jornal 'Estadão' SP de 05.Fev.14