segunda-feira, 2 de abril de 2018

Eu Ajudei a Destruir o Rio de Janeiro

Vale a pena reler antigo artigo, publicado no Jornal de Brasília, no começo da década passada: "EU AJUDEI A DESTRUIR O RIO", de Sylvio Guedes, ex-editor-chefe do Jornal de Brasília.  Sylvio Guedes é atualmente Chefe do núcleo dos programas jornalísitcos do Senado Federal.

“EU AJUDEI A DESTRUIR O RIO"
É irônico que a classe artística e a categoria dos jornalistas estejam agora na, por assim dizer, vanguarda da atual campanha contra a violência enfrentada pelo Rio de Janeiro. Essa postura é produto do absoluto cinismo de muitas das pessoas e instituições que vemos participando de atos, fazendo declarações e defendendo o fim do poder paralelo dos chefões do tráfico de drogas.

Quando a cocaína começou a se infiltrar de fato no Rio de Janeiro, lá pelo fim da década de 70, entrou pela porta da frente.

Pela classe média, pelas festinhas de embalo da Zona Sul, pelas danceterias, pelos barzinhos de Ipanema e Leblon.

Invadiu e se instalou nas redações de jornais e nas emissoras de TV, sob o silêncio comprometedor de suas
chefias e diretorias.

Quanto mais glamuroso o ambiente, quanto mais supostamente
intelectualizado o grupo, mais você podia encontrar gente cheirando carreiras e carreiras do pó branco.

Em uma espúria relação de cumplicidade, imprensa e classe artística (que tanto se orgulham de
serem, ambas, formadoras de opinião) de fato contribuíram enormemente para que o consumo das drogas, em especial da cocaína, se disseminasse no seio da sociedade carioca - e brasileira, por extensão.

Achavam o máximo; era, como se costumava dizer, um barato.

Festa sem cocaína era festa careta.

As pessoas curtiam a comodidade proporcionada pelos fornecedores: entregavam a droga em casa, sem a
necessidade de inconvenientes viagens ao decaído mundo dos morros, vizinhos aos edifícios ricos do asfalto.

Nem é preciso detalhar como essa simples relação econômica de mercado terminou. Onde há demanda, deve haver a necessária oferta. E assim, com tanta gente endinheirada disposta a cheirar ou injetar sua dose diária de cocaína, os pés-de-chinelo das favelas viraram barões das drogas.

Há farta literatura mostrando como as conexões dos meliantes
rastacuera, que só fumavam um baseado aqui e acolá, se tornaram senhores de um império, tomaram de assalto a mais linda cidade do país e agora cortam cabeças de quem ousa lhes cruzar o caminho e as exibem em bandejas, certos da impunidade.

Qualquer mentecapto sabe que não pode persistir um sistema jurídico em que é proibida e reprimida a produção e venda da droga, porém seu consumo é, digamos assim, tolerado.

São doentes os que consomem. Não sabem o que fazem. Não têm controle sobre seus atos. Destroem
famílias, arrasam lares, destroçam futuros.

Que a mídia, os artistas e os intelectuais que tanto se drogaram nas três últimas décadas venham a público assumir:

"Eu ajudei a destruir o Rio de Janeiro."
Façam um adesivo e preguem no vidro de seus Audis, BMWs e Mercedes.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Não... Eu não vou!

No dia 26 de março do ano passado, eu escrevi este texto sobre as manifestações de rua.
Vale para as próximas, marcada para o dia 3 de abril deste ano...

Bom Dia!
Não... Eu não vou!
Cansei.

A maioria de vocês também não vai, seja lá por qual razão. A verdade é que o 'povo', contra quem os políticos trabalham dia sim e no outro também - dizendo obviamente o contrário - não está interessado em livrar o país desta corja, aliás foi esse mesmo povo que os elegeu, reelegeu e está pronto pra trazer todos de volta ano que vem, exceto se o juiz Sérgio Moro os trancafiar e impedir que se candidatem.
Mas assim mesmo poderão ser eleitos, afinal eles próprios estão prontos pra votar suas respectivas anistias e também o voto em lista, onde seus nomes encabeçarão a relação dos que tomarão posse em 2019. Mesmo presos, se o STF não os libertar antes...

Esta é a nossa realidade política.
Os que podem mudar isso estarão sentados em frente à TV assistindo um programa ou filme qualquer, depois de saborear uma suculenta carne podre que país nenhum quis comprar. Esses, que não vão se aposentar porque a corja já se aposentou 30, 40 anos antes, são os mesmos que não terão o direito de receber uma pensãozinha mequetrefe que não compra nem pirulitos para os netos... mas quem se importa, se as bundas estão a mostra no Domingão do Faustão?
Ou a subcelebridade de quem copia a maquiagem, as roupas e as cores do cabelo, está no ar pra ensinar o truque da selfie perfeita?

Não... não vou pra rua hoje!
Aqui mesmo nas redes sociais ainda existem os que não admitem nem mesmo que esta corja assaltou o Brasil, querem fazer crer que foi necessário pagar Bolsa Família com nossos impostos exorbitantes e os culpados são os empresários malvadões. Só pra ficar nos assuntos lights... porque hoje é domingo!

Itamar Franco, depois que o ladrāo de galinhas do Collor caiu, quase foi derrubado pelo Exército porque posou no camarote da Sapucaí com Lilian Ramos sem calcinha. Foi salvo pela prematuridade da volta democrática do país. Hoje, depois de tudo que sabemos - e saberemos muito mais amanhã - ninguém quer fazer nada por si, pelos filhos, pelos netos... ninguém!
Não vou pra rua 'sozinho' enquanto vocês ficam assistindo TV.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Flu x Fla da Taça Rio 2018

Obviamente que eu preferia ter ficado de fora desse mau sentimento. Mas se nesse Fla-Flu safado de quinta-feira o Flamengo fosse uma pessoa o Flamengo seria uma pessoa horrível. É um absurdo o Flamengo ir até o Engenho de Dentro fazer um jogo cheio de ofensas, grosserias. Já ofendeu a torcida, já ofendeu o Fla-Flu, ofendeu até a mim. Esse futebol é a mistura do mal com o atraso e pitadas de psicopatia. A vida para esse Flamengo é ofender as pessoas. Qual a sua ideia? Qual sua proposta? O Fla-Flu foi uma uma vergonha, foi uma desonra para o Flamengo. Um jogo desses, sozinho, desmoraliza até até o solo sagrado da Gávea.
O professor Carpegiani aloprou, e mostrou isso desde a escalação inicial. Rever em vez de Rodhofo foi piração. Ainda mais com um Rever vindo de parado pra fazer dupla com nosso zagueiro sênior que joga quase sempre em easy mode pra encarar um ataque de pivetes e trombadinhas. Aliás, nossa defesa tem tudo pra dar muita dor de cabeça em 2018. Diego Alves é um grande goleiro? Sim, Diego Alves é um grandíssimo goleiro. Só que Diego Alves força a amizade. E tem saído do gol com o ímpeto de quem vai buscar o jornal de manhã no capacho da entrada. Só falta o pijama listrado e o robe de chambre. Vou nem comentar os laterais, os caras erraram tudo o que tentaram.
Uma mexida amalucada do Carpegiani que deu certo foi botar o Everton pra fazer a lateral. Mudança que a torcida pede há muito tempo. Será que o golaço que o Everton fez não o convenceu ainda que a lateral esquerda é a sua posição natural? Será que ele não percebe que foi jogando ali que ele conquistou as maiores glórias da sua carreira? Foi o único acerto do nosso treinador ontem. E não mete essa de que Everton não sabe marcar. Quem ouve pode até pensar que o Renê e o Trauco sabem.
O meio de campo, em uma noite desinspirada de Paquetá, foi aquele deserto de ideias. Diego e Everton Ribeiro nada apresentaram e deixaram a tarefa de jogar bola pro Jonas. Que compensa sua deficiência técnica com muita dedicação. Jonas era o único cara no Engenhão, com exceção dos tricolores, que levou o Fla-Flu a sério. Sejamos sinceros, os caras entraram com muito mais disposição e vontade do que o Flamengo. Mesmo porque o jogo pra eles valia muito mais do que pra nós.
Mas ruim mesmo foi o nosso ataque. É tão obtusa e atrasada a ideia de que Vinicius Jr só pode entrar em campo depois que o Flamengo está perdendo que quando o Carpegiani chamou o moleque do banco teve gente que em vez de ficar amarradona ficou foi puta. E com razão. É muita teimosia, muita insistência em seguir o caminho do burro sem olhar para os lados e sem abrir a cabeça para novas ideias.
A joia madrileña até que tentou fazer uma graça, mas não deu sorte nas conclusões. Pelo menos Vinicius Jr deixou evidente, até para os leigos, que o ataque do Flamengo com ele é outra coisa. Muito mais contundente, muito mais agressivo, muito mais Flamengo. Pra que esperar o Flamengo ficar atrás do placar para que ele entre em campo com sua juventude e impetuosidade? Esse moleque tem que começar jogando, isso é óbvio.
Enfim, foi um Fla-Flu dos mais esquecíveis e sem graça. Ainda bem que já acabou. E pra quem ainda não percebeu que é muito mais do que futebol o grande momento do jogo foi ver as duas torcidas unidas nos mesmos sentimentos: o ódio ao Dourado!
Partes do texto original de Arthur Muhlenberg - Facebook