quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Editorial O Estado de S. Paulo - 02 Fev 2016

Se em relação a Luiz Inácio Lula da Silva a Operação Lava Jato e afins não conseguirem revelar nada mais do que até agora veio a público, já estará mais do que demonstrado um traço importante do comportamento do ex-presidente que o desqualifica como homem público incorruptível ou, como ele próprio se definiu, a “alma mais honesta” do País: a promiscuidade com empresários corruptos como o ex-presidente da construtora OAS, condenado a 16 anos de reclusão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no escândalo da Petrobrás.
Pressionado, Lula confessou, em nota divulgada por seu instituto, o que já se tornara indesmentível: fez uma visita, em 2014, a “uma unidade disponível para venda no condomínio”, o famoso tríplex do Edifício Solaris, no Guarujá, acompanhado de Marisa Letícia e de Léo Pinheiro, então firme no comando de sua empreiteira, que havia assumido a construção do prédio. Após a visita – segundo a nota, sob o título Os documentos do Guarujá: desmontando a farsa –, o casal concluiu que o apartamento “não se adequava às necessidades e características da família, nas condições em que se encontrava”. Aparentemente, para satisfazer o casal, Léo Pinheiro mandou fazer novas reformas, que foram fiscalizadas, ainda segundo a nota, em outra visita de Marisa Letícia, desta vez acompanhada do filho Fábio Luís.
Não é necessário especular sobre os motivos que teriam levado a OAS a assumir a construção do Solaris após a quebra da Bancoop nem as razões que teriam convencido a família Lula da Silva a desistir da ideia de ter um luxuoso apartamento naquele prédio. A pergunta para a qual Lula não tem resposta é a seguinte: por que, afinal, Léo Pinheiro se dispôs a apresentar pessoalmente ao ilustre casal a reforma que sua construtora havia realizado no tríplex e, quando foi informado de que o imóvel “não se adequava às necessidades” de uma família exigente, ordenou nova reforma, que a própria ex-primeira-dama viria a conferir pessoalmente pelo menos uma vez?
As razões de Léo Pinheiro são fáceis de imaginar. Lula, na condição de ex-presidente da República e maior líder do partido que continuava no poder, já havia desembolsado boa soma para a aquisição do imóvel e, mais que isso, merecia a deferência especial da presença do dono da construtora na singela apresentação da unidade reformada. E Pinheiro acertou, pois os Lula da Silva efetivamente se interessaram pelo negócio, já que o generoso anfitrião do encontro garantiu que o deixaria nos trinques. Só desistiram dele, meses mais tarde, no segundo semestre do ano passado, depois que a imprensa passou a publicar, segundo a nota, “notícias infundadas, boatos e ilações que romperam a privacidade necessária ao uso familiar do apartamento”, seja lá o que isso queira dizer.
As razões de Lula, homem público com ambições que não esconde, é que interessam aos brasileiros. Não se trata de questionar a lisura do negócio em que a família se envolveu. Trata-se de constatar que Lula, que sempre demonstrou desprezo pelos rigores éticos da “moral burguesa”, se permitiu expor publicamente uma relação promíscua com um empresário desonesto – relação que, a bem da verdade, precede de muito o caso do tal tríplex – interessado em transformar “laços de amizade” em ativos financeiros.
A relação espúria Lula-Léo Pinheiro se reproduz em muitas outras do gênero que povoam o ambiente de promiscuidade entre política e negócios, com uma infinidade de “amigos do peito do presidente”. Ela é a própria essência do secular e corrupto sistema patrimonialista que trava o desenvolvimento do País. Um sistema que, pelas injustiças que tende a provocar – o caso Bancoop é um magnífico exemplo –, sempre esteve na mira do PT enquanto era oposição. Um sistema ao qual Lula e seus seguidores se renderam sem o menor constrangimento há 13 anos, sob o argumento falacioso de que, para fazer bem ao povo, é preciso garantir a “governabilidade” a qualquer custo. Essa é a verdadeira farsa que a Lava Jato está desmontando. Lula e seus fiéis escudeiros, tendo à frente o notório José Dirceu, sempre se apresentaram como heróis ao povo brasileiro. Nunca passaram de homens comuns, daqueles que se deixam corromper pelas circunstâncias. Ao contrário deles, heróis mudam as circunstâncias e conservam suas virtudes. Lula e a tigrada nunca foram nem serão heróis – não passam de homens ordinários. Ordinaríssimos.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Imposto na Veia

Um dia na vida do desGoverno:
- 7h45 - Vigilante assiste, na portaria do Ministério da Fazenda, o telejornal Bom Dia Brasil na segunda feira, dia 1º de Fevereiro. O som está ligeiramente alto.
- 7h55 - O Ministro chega ao prédio e sobe pelo elevador de serviço. O elevador para no térreo para alguém entrar e o ministro consegue ouvir parte da matéria que o Bom Dia Brasil veicula: ... o segmento de sorvetes subiu quase 26% e chegou a um faturamento de R$ 25 bilhões em 2015...
- 7h59 - O ministro pergunta se o secretário da Receita Federal já chegou. O chefe de gabinete diz que vai verificar. O ministro pede para que ele venha até seu gabinete.
- 8h15 - O chefe de gabinete avisa ao ministro que o secretário da Receita Federal está na ante-sala. O ministro pede que ele aguarde um minutinho.
- 9h23 - O ministro avisa ao chefe de gabinete que o secretário da Receita Federal pode entrar.
- 9h25 - O secretário da Receita Federal adentra ao gabinete do ministro. Eles falam de futebol, tomam cafézinho, comentam sobre a estagiária nova que começou hoje...
- 9h50 - O ministro quer saber se o seguimento de sorvetes tem tido crescimento na arrecadação. O secretário da Receita Federal consulta seu tablet e confirma que sorvetes, chocolates e cigarros foram os únicos que tiveram crescimento na arrecadação de impostos.
- 9h55 - O ministro determina que o secretário da Receita Federal faça uma simulação para 2016 desses seguimentos. O secretário promete voltar no meio da tarde com os dados.
- 12h10 - O ministro sai para almoçar com um deputado da base aliada.
- 15h25 - O ministro retorna do almoço e pergunta ao chefe de gabinete se o secretário da Receita Federal está com os dados solicitados para os seguimentos de sorvetes, chocolates e cigarros.
- 16h05 - O chefe de gabinete informa que o secretário da Receita Federal está disponivel para apresentar os dados solicitados.
- 16h15 - O secretário da Receita Federal chega ao gabinete do ministro e inicia a apresentação dos dados solicitados.
- 17h00 - O ministro interrompe a apresentação do secretário da Receita Federal e pergunta: - mas até outubro qual seria o aumento de arrecadação se a liquota fosse maior como falamos?
- 17h20 - O secretário da Receita Federal conclui a simulação e informa o valor estimado...
- 17h21 - O ministro determina que seja aumentada a alíquota do imposto para esses seguimentos: sorvetes, chocolates e cigarros.

[ ... ]
ANTES MESMO DE OUTUBRO O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL OLHA ATENTAMENTE OS NÚMEROS E VERIFICA QUE CAIU A ARRECADAÇÃO DOS SEGUIMENTOS SORVETES, CHOCOLATES E CIGARROS. OLHA PARA O JORNAL CORREIO BRASILIENSE DOBRADO SOBRE A ESCRIVANINHA ONDE A MANCHETE INFORMA: CANDIDATO A PREFEITO APOIADO PELO MINISTRO DA FAZENDA NÃO CHEGA AO SEGUNDO TURNO.


Esta descrição é uma ficção, qualquer semelhança com fatos presentes, passados ou futuros será mera coincidência. Mas, coincidentemente, o imposto para esses segmentos subiu hoje!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Safadeza pra encobrir safadezas

No dia 24, o blog O ANTAGONISTA publicou o seguinte post sobre o acordo de leniência que está sendo negociado entre o desGoverno 'Diuma' e a holandesa SBM:
O governo do PT age contra os interesses do Brasil. Abertamente, o que é ainda mais espantoso e intolerável.
O Antagonista confirmou uma notícia publicada pela Folha: a holandesa SBM que, pelos parâmetros da Lava Jato, deveria desembolsar pelo menos 4 bilhōes de reais de indenização, pagará somente cerca de 1 bilhão de reais, no acordo de leniência a ser firmado com a CGU.
É muito menos do que a SBM superfaturou em contratos com a Petrobras -- 1,7 bilhão de reais, segundo o TCU.
É um acordo safado com uma empresa safada feito por um governo safado. Imaginem o "descontinho" que será dado à Odebrecht e assemelhadas.
Esses acordos de leniência não podem passar.
Hoje, O Antagonista descobriu que a safadeza é ainda maior.
Na verdade, a SMB desembolsaria apenas 500 milhões de reais - os outros 500 milhões seriam na forma de "descontos" em futuros contratos com o governo.
Os brasileiros vão recompensar o roubo da SBM, a empresa que doou 300 mil dólares na Suíça para a campanha de Dilma Rousseff, em 2010.