segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Maquiagem Sem Fronteiras

A MAQUIAGEM promovida pela Prefeitura do Rio na favela Caminho do Zepellin, no Rio de Janeiro, para a visita-propaganda de 'Diuma' travestida de combatente do Aedes aegyPTi, neste sábado, foi como uma fotografia do descaso que o Estado dedica as 'comunidades' e, por isso mesmo, quem domina tudo são os traficantes.
“Começaram a fazer coisas que nunca fizeram aqui”, estranhou a dona de casa Diana Amorim Gonzalez, que contraiu zika há um mês.
“Até sofá velho que estava aí largado há muito tempo eles tiraram”, disse Vani Pereira, diretora de uma escola particular de ensino fundamental."
O governo deveria estudar a criação de um programa novo, o ‘Maquiagem sem Fronteiras’. A experiência não pode ficar restrita a uma favela carioca. Em vez de gastar dispersivamente com saúde e saneamento básico, o Tesouro aplicaria o dinheiro num grande projeto de camuflagem. Não elimina o mosquito. Mas, com uma generosa camada de blush, pode-se revolucionar a aparência dos doentes.
Numa segunda fase, o programa pode distribuir um kit de maquiagem para todos os brasileiros. Conteria base branca para tingir o rosto, batom para a pintar a boca engraçada e uma bola vermelha para realçar o nariz. Por último, o Planalto lançaria uma campanha na internet:
#somostodospalhacos

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Tomando no TCU

Eu aqui na minha 'santa ignorância' não entendo: PORQUE o tal dono da UTC que fez DELAÇÃO PREMIADA não é chamado a depor e alguém (pode ser até o carcereiro 'japonês' da Federal) não pergunta pra ele: VOCÊ PAGOU O CARA?
- Paguei! ou
- Não paguei!
Fica a história restrita ao " - Veja bem..." e se arrastando por meses, vai durar anos, enquanto o juiz (juiz?) permanece no TCU e no STJ julgando, 'cagando' sentenças que não se sabe se são suas (do direito) ou compradas.
É do balacobaco! Lendo o artigo do articulista Josias de Souza, a seguir, a gente pensa: Eles não tem cara-de-pau, o que eles tem é cara-de-aço. E o pior: NINGUÉM (Ministério Público, Ministério da Justiça, Imprensa, STJ, STF, N-I-N-G-U-É-M) SE MANIFESTA CONTRA ESTA SITUAÇÃO OU SIMPLESMENTE IMPEDE QUE CONTINUE.
O ministro Raimundo Carreiro, do Tribunal de Contas da União, desempenha no momento dois papeis incompatíveis. No TCU, ele é o relator do acordo de leniência que a empreiteira UTC negocia com o governo. No STF, Carreiro é investigado por suspetia de ter recebido propina de Ricardo Pessoa, dono da UTC. Deve-se a informação ao repórter Vinicius Sassini.
Acordo de leniência é o nome técnico da delação premiada feita por empresas. Apontado como coordenador do cartel de empreiteiras que pilhou a Petrobras, Ricardo Pessoa reivindica o acerto para que sua construtora volte a celebrar contratos com o governo. Faz isso depois de já ter virado delator como pessoa física. Foi nessa condição que ele mencionou o nome de Raimundo Carreiro em depoimento à força-tarefa da Operação Lava Jato.
Ricardo Pessoa contou aos investigadores que pagou mesada de R$ 50 mil mensais ao advogado Tiago Cedraz. Vem a ser filho do presidente do TCU, Aroldo Cedraz. Segundo o delator, os pagamentos eram feitos em troca de informações privilegiadas sobre um processo que corre no TCU. Refere-se às obras da usina Nuclear de Angra 3, tocadas por um consórcio de empresas que incluiu a UTC. Negócio de R$ 1,75 bilhão. O relator do caso é Raimundo Carreiro.
O dono da UTC acrescentou que Tiago Cedraz lhe pediu uma propina de R$ 1 milhão, em dinheiro vivo. Na interpretação do empreiteiro, a verba destinava-se a Raimundo Carreiro. Acionado, o Supremo Tribunal Federal autorizou, em junho de 2015, a abertura de um inquérito sigiloso para investigar o ministro Carreiro e o advogado Cedraz. No mês seguinte, Carreiro virou relator do acordo de leniência da UTC.
Carreiro foi procurado pelo repórter na tarde desta quinta-feira. Aparentemente, caiu-lhe a ficha: “A relatoria foi sorteada para mim. Em 2 de julho, proferi um despacho, com anuência do Ministério Público junto ao TCU, com a definição de que as duas primeiras etapas seriam analisadas uma única vez. Vou me declarar impedido. Não tenho nenhum problema, mas, por estar no foco, vou me declarar impedido.”
O ministro prestou depoimento à Polícia Federal em outubro de 2015. Disse ter encontrado Tiago Cedraz em duas escassas ocasiões: nos casamentos do advogado e da irmã dele. Negou ter recebido, por intermédio de Cedraz ou de terceiros, dinheiro para ajeitar o julgamento do processo sobre Angra 3 aos interesses da UTC.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Não há Vagas

Outro dia, um cartola do PT declarou que Lula "mora no coração do povo brasileiro". Na condição de brasileiro em dia com as obrigações e portador de um coração de dimensões regulares, vi-me tecnicamente apto a hospedar o ex-presidente. Gelei. A ideia de ter meganhas entrando e saindo do meu coração, vasculhando cômodos, armários e debaixo das camas para proteger o chefe, me apavorou.
Além disso, Lula é um hóspede folgado. Apossa-se dos apartamentos e sítios a que o convidam como se fossem dele. Promove reformas como derrubar paredes, mudar escadas de lugar e instalar elevadores internos, vide o famoso tríplex que não lhe pertence no Guarujá -imagine se pertencesse. Com seu à vontade em relação à propriedade alheia, temo que, uma vez hospedado no meu coração, logo iria querer alterar o curso de minhas veias e artérias, como tentou fazer com o rio São Francisco.
E acho que meu coração não comportaria a turma que anda com ele. Lula começaria a receber seus amigos empreiteiros, pecuaristas e doleiros, os quais iriam se meter por meus átrios e ventrículos, e sabe-se lá para onde meu sangue passaria a ser bombeado. Sem falar em sua mulher, dona Marisa - com suas prerrogativas de ex-primeira-dama, mandaria trocar meus velhos fogões por luxuosos micro-ondas e atracaria uma canoa em meu sistema vascular.
Mas isso não acontecerá. Consultei o cardiologista e ele foi taxativo ao se opor a que eu receba Lula em meu coração, mesmo que por poucos dias. Como médico, teve péssima impressão do desempenho de Lula no setor da saúde enquanto presidente. E citou o meu próprio caso.
Nos últimos anos, por certas atribulações cardíacas, quase fui duas vezes para o beleléu. Do qual só me salvei tomando dinheiro emprestado aqui e ali, por ter um plano de quinta e não poder contar com um sistema decente de saúde pública.
Ruy Castro