quarta-feira, 16 de março de 2016

O Golpe da Babá

A fotografia da família carioca servida de uma babá uniformizada a caminho da manifestação de domingo (13/03/16) é poderosamente representativa. Retrato, porém, não dos que protestaram livremente, mas daqueles que perderam o controle da narrativa escrita nas ruas.
Nunca antes na história deste país uma derrota passou tanto recibo (não houve caixa dois.)
Associada à ideia de relação escravista, a exploração histérica da imagem reagiu à constatação de que elite nenhuma no mundo é capaz de reunir milhões de pessoas; sobretudo, expôs uma militância desesperada, que nada entende sobre o país em que vive e sobre o povo que pretende proteger.
A preocupação, claro, nunca foi a babá -que está bem, empregada, com carteira assinada e impostos recolhidos, que valoriza a relação formal eletiva que estabeleceu com os patrões, que emprega, ela mesma, alguém para cuidar de seus filhos e que se declara, atenção, a favor dos protestos. Angélica... Ninguém entre os indignados seletivos estava interessado nela. Importava o quadro.
Jamais tantos Debret e Rugendas circularam pelas redes sociais -iconografia destinada à distorção que ainda garante uns milhões à indústria dos fabricantes de oprimidos e de protetores de oprimidos.
A fotografia, então, era comparada a telas em que escravos carregam seus senhores em liteiras. Gente bacana embarcou nessa. Reagiam à percepção de que havia nas ruas bem mais do que burgueses zelosos de seus privilégios de classe -leitura que suponho assustadora para quem se julga dono e controlador das massas.
Era o povo, mané!
Não tardou, portanto, para que pipocasse o tipo doente da hora, milho maduro num país em que cindir a população é política de Estado: o camarada que, em meio a uma manifestação de brasileiros, quantifica negros para comprovar uma tese.
A mobilização urgente desses recenseadores ideológicos programados para forjar o "nós contra eles" é outro instantâneo do desespero. Registra o chororô dos que sentem murchar os instrumentos por meio dos quais exercem poder.
Assim, são capazes de transformar o Brasil numa Noruega para que 5 milhões de pessoas reunidas país adentro passem por ricos opressores de olhos azuis.
Não é que tenham perdido o domínio da narrativa costurada no chão, entre as gentes. (Angélica tem escolha e não está nem aí para vocês.) Perderam-se até dos mais elementares recursos da mistificação, aqueles que simulavam pisar na realidade.
Não os encontrarão novamente. Não enquanto tiverem de negar o que o delator gravou. Não enquanto carregarem passivo tão pesado, essa jararaca a subjugá-los.
E ainda há, no caráter das manifestações em curso, a cultura da independência - o repúdio à figura de qualquer político que tenha sido omisso ou passivo diante da sucessão de crimes ora descortinados.
Aécio e Alckmin foram hostilizados e, embora o tenham sido por 4 ou 5 milhões a menos de pessoas do que Dilma, o desprendimento dos manifestantes causa curto-circuito naqueles que precisam atribuir a uma população moralmente indignada o símbolo de partidos adversários. Ufa!
Compreendo que não seja fácil assimilar tanta coisa e uma derrota de tal magnitude. Foi golpe mesmo. Como não? A maior manifestação pública da história do Brasil não apenas não teve os que se consideram proprietários da voz das ruas como foi contra eles e tudo quanto significam.
Que pernada!

Carlos Andreazza

segunda-feira, 14 de março de 2016

The Day After

Foi uma festa cívica!
O dia 13 de março, como já havia acontecido em 1964, deu ao desGoverno do turno o recado que eles mais temiam: são desprezados pela população! Para a justiça o recado foi claro: nós apoiamos vocês!
Mas deu também um recado a opoziçãozinha microscópica: vocês também não são o nosso sonho de consumo!
E mais: mostrou para a classe política que a melhor imagem que a população tem deles é de que são incompetentes! A MELHOR imagem!

E a população tem razão!
No meio disso tudo, manifestações colorindo o Brasil de verde e amarelo, as ruas tomadas, as praças lotadas de gente reverenciando a POLÍCIA... e os nossos políticos discutindo qual a melhor saída para a crise política...
A CRISE POLÍTICA são os nossos próprios políticos!
- Incompetentes;
- Despreparados;
- Inertes;
- Ineficazes;
- Ineficientes;
- Caros;
- Boçais... e um sem números de etc...

Uma renúncia coletiva traria mais vantagens ao país do que as sugestões discutidas entre eles até agora: semi-presidencialismo, parlamentarismo, impeachment da presidente, cassação da chapa eleitoral...
Começando de traz pra frente:
- Cassação da chapa eleitoral com novas eleições para eleger QUEM? Aécio? Alkmin? Serra? Marina Silva? Quem? E olha que esses são os considerados com chances e 'melhorzinhos'... Nenhum deles é o sonho de consumo da população! Esta ação só seria realmente válida se fossem cassados também os registros partidários de PT, PP e PMDB; por uso de dinheiro produto de corrupção na Petrobras e outras empresas e obras. Os políticos eleitos de 2006 pra cá, desses partidos, tornados inelegíveis por 8 anos. Sim! Todos usaram dinheiro dos diretórios, todos estão CONTAMINADOS.

- Impeachment da presidente só? E o presidente da Câmara? E o presidente do Senado? São todos partícipes de uma mesmo crime: a corrupção! Sou mais simpático a versão anterior, completa, com a limpeza generalizada. Eu citei acima PT, PP e PMDB, por razões óbvias: estão envolvidos na Lava-Jato. Mas não pensem que os partidos da 'base alugada' poderiam se safar desta. Todos foram comprados! É só uma questão de apurar, identificar e punir!

- Parlamentarismo? Já houve um plesbicito em passado recente e parlamentarismo não foi a escolha da população. Por que os políticos insistem? Porque isso lhes salva o pescoço e ainda mais: lhes dá mais poder! E PODER é uma coisa que não devemos dar a estes políticos que aí estão, seja na situação ou na oposição. São todos corruptos, salvo um ou outro que AINDA é preciso identificar.

- Semi-presidencialismo? Nem preciso comentar muito, é um parlamentarismo com a mácula do golpe de estado sem deposição da presidente da república, apenas sequestro de funções governamentais. Isso é só um arranjo, para obter apoio entre os políticos da situação que não aguentam mais a presidentA. Isso é verdadeiramente um GOLPE!

A chance está aí... o povo fez a sua parte, desde 2013 não sai das ruas protestando. Agora os empresários precisam se unir, passar a pagar impostos 'sub judice', paralizar o país com greves estratégicas, pressionar o desGoverno e os políticos até que eles saiam, renunciem, desistam... até que a Justiça os alcance!